segunda-feira, 11 de outubro de 2010

A LINDA FOTOGRAFIA

Publicado no Jornal Letras Santiaguenses mai/jun 2006

Mais um dia cai e o sol, radiante, aquela bola vermelho-alaranjada, fumegante, morre aos poucos no horizonte. Esconde-se, belo, atrás da casa da Paulinha, mas seus raios poderosos flamejam, vivos, encantando a minha visão por mais meia hora. Até que a penumbra reina completa, também dando o seu show particular. Nesse meio tempo, o movimento de pessoas aumenta na rua. A pé e motorizadas. São os sedentários que se apressam a chegar em casa, ilhados nos seus veículos; são os desportistas que põem seus corpos em forma, tomados em suor; mas também há aqueles que não se encaixam em nenhuma das duas categorias e por motivos outros passam enlouquecidos aqui pela frente, despreocupados com os demais, olhos fixos apenas para seus objetivos.
Um casal de passarinhos brinca no fio de luz e, ah, se tivesse uma máquina fotográfica à mão, haveria de tornar-se uma magnífica foto. Um empoleirado no fio elétrico, o outro a bater as asas e os raios solares iluminando aqueles dois minúsculos corpos, tornando as penas meio escuras, meio alaranjadas. Imediatamente abaixo, um garoto, sentado no banco da praça olha vagamente para o acontecimento animal, curioso, porém com o semblante pesado.
E o garoto observa atentamente os bichinhos. Eles não saem dali! Mantém um movimento estranho, batendo asas, voando pra lá e pra cá, indecisos. Isso não poderia ser assim... Que ficassem quietos, economizassem energias. Talvez inicie chover e necessitarão voar desesperadamente até seus lares apertados, sem televisão nem luz. Se um deles soltar qualquer coisa aí de cima, terão, com certeza, que voar para longe, pois choverão pedras, sem perdão! E a chance de chover é grande, o sol já foi, finalmente aquele calor infernal passou e algumas nuvens pesadas aproximam-se, ocultas pela escuridão.
Há muita gente nas ruas e calçadas, dentro das casas e nos pátios, brincando, conversando ou então olhando para o céu. Muitos dos que correm são pessoas atarefadas que levam trabalho para casa. Outras apenas gostam de andar rápido. Mas há aqueles que não têm o que fazer e ficam por aí, parados, jogando papo fora. E tem aquele cara, mora umas duas quadras daqui, todos os fins de tarde está lá na sacada, olhando o movimento. Qual será a atração, haverá alguma coisa bonita de se enxergar?

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