domingo, 3 de abril de 2011

Tradutor de porta de fórum

Publicado no Jornal da Cidade Online, em 03 de abril de 2011.

Participei, em janeiro deste ano, de um fórum de literatura na cidade de Santiago - RS, organizado pela Casa do Poeta de Santiago. Era época de férias, descanso pra todo mundo, um ótimo momento para os adoradores das letras, de poesias, contos, crônicas, declamações e quaisquer assuntos afim, encontrar outras pessoas convictas dessa paixão e trocar experiências. Mas eis que da minha cidade somente estava eu. Convidei todos os colegas que pude, mas o insucesso foi total. Não vai dar, vou estar viajando, gastei muito dinheiro com festa e não vai sobrar pra ir. Está explicado. É gasto com hotel, alimentação lá e três dias gastos (não investidos). Bem melhor ficar em casa tomando a cervejinha, assistindo à tv e dormindo até às 10h.
Fiquei no segundo dia junto com o pessoal da recepção. Fui barrado na entrada por uma ex-colega de faculdade que recepcionava o público. O papo ficou tão bom que acabei deixando para assistir às palestras para o próximo turno. Por se tratar de um fórum onde palestravam brasileiros e argentinos, havia intérpretes que faziam a ponte comunicativa entre os dois idiomas. Lá na recepção, assumi, sem querer, o mesmo papel.
Essa minha colega é excepcional no inglês, mas uma negação no espanhol. Com todo o respeito, é claro. E como eu estava ao seu lado, aproveitei e pus na prática os meus conhecimentos aprendidos na faculdade, da língua hermana. E foi uma ótima experiência que tive naqueles dias. Porque não há nada melhor para exercitar o seu conhecimento numa língua que falando com um nativo.
Não bastasse haver ganho o dia por ter falado com nossos amigos argentinos e ter conseguido expressar-me eficientemente, outro fato veio a valorizar ainda mais a ida solitária ao fórum.
Após sofridos dez minutos de luta contra a tampa do radiador do carro, consegui abri-la na manhã do último dia. Havia uma plateia particular, saboreando meu sufoco. Um senhor de certa idade, pois não era, exatamente, um idoso, porque isso vai mais da mente da pessoa do que o biológico. Era o senhor Joaquim Moncks, meu vizinho de quarto do hotel, que eu havia no dia anterior ajudado a pôr para funcionar seu gravador de áudio. Ele é o Coordenador Executivo da Casa do Poeta Brasileiro (POEBRAS Nacional), a entidade que lidera as várias Casas do Poeta, Brasil afora.
Conquistado o objetivo de abrir a detestável tampa, completei o nível de água que precisava, tampei novamente, fechei o capô do carro e preparei-me para ir ao fórum. Você me dá uma carona? Mas é claro! E o senhor Moncks foi comigo até o evento. No pouco tempo juntos, conversamos sobre produção literária e ao estacionar o carro ele pegou a sua sacolinha e começou a entregar-me alguns livros. São para você. Agradeci e perguntei-lhe quanto custavam, pois eram seis livros. Geralmente os regalos constituem-se de um, no máximo dois exemplares. Não custa nada.
Acho que nessa hora minha boca sorriu de canto a canto do rosto. Não bastasse o interesse daquele senhor, o presente era mais que bem-vindo, devido à qualidade dos textos e da importância de cada um.
Recebi, é claro, uma dedicatória. Foi o segundo presente em pouco mais que dois dias. A charla com os amigos argentinos e os livros do senhor Moncks. Quem sabe se algum colega meu fosse ao fórum, também tivesse essa mesma impressão positiva da atividade literária. Só indo para saber. Eu fui.

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